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18/09/2009 - Mais de 40% das casas de 4 regiões do Brasil têm apenas celular

Ao mudar para a capital paulista, o engenheiro civil Fabricio Tardivo nem pensou em ligar para a operadora de telefonia fixa e pedir a instalação de uma linha no novo apartamento. Tratou logo de comprar um chip com código de área 11 e outro celular (usado mesmo) para o velho número com DDD 14, de Bauru, sua cidade natal.

"Não preciso de um telefone fixo, já que passo boa parte do tempo fora de casa. Quem quiser falar comigo, é só ligar para o meu celular. Para meus pais e amigos de Bauru, carrego o outro aparelho, de código de área 14. Assim, não precisam nem pagar uma ligação interurbana", explica.

A opção do engenheiro foi a mesma adotada em, aproximadamente, 4 em cada 10 domicílios brasileiros de todas as regiões exceto Sudeste, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo os dados, 82,1% das casas em todo o Brasil possuem telefone, o que representa mais de 47 milhões de domicílios e um aumento de 6,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desse total, 37,6% só têm celular —contra 31,7% no ano de 2007.

Para Élia San Miguel, analista de telecomunicações do Gartner, o foco da cobertura das operadoras de telefonia fixa concentra-se em grandes capitais e bolsões urbanos, como as regiões Sul e Sudeste do Brasil. "Assim, o usuário dos outros estados não encontra tantas vantagens em termos de qualidade e preço que o faça optar por um telefone fixo. O celular garante mobilidade, chega a várias cidades e é mais barato", explica.

Segundo a analista, outra vantagem é que o celular que só recebe chamadas não traz despesas, enquanto o telefone fixo, mesmo se o cliente não usar, precisa pagar. "Não temos mais assinatura, mas o usuário paga o pacote mínimo de minutos por mês. Se não usar, terá que desembolsar o valor do mesmo jeito", explica.

Regiões onde os celulares predominam

A adesão é tanta que em quatro das cinco regiões brasileiras, mais de 40% dos domicílios não possuem telefone fixo em casa, apenas celular. A Norte é a que tem o maior índice, com 49% das residências que têm telefone se comunicando apenas com aparelhos móveis.

Em seguida vem o Centro-Oeste, com 47,7%, e a Nordeste, com 43,9%. Sul e Sudeste trazem as menores taxas, com 40,8% e 29,3%, respectivamente.

Na onda do alô só pelo celular, os nordestinos foram os campeões em crescimento. Em 2008, a região foi a que mais ganhou domicílios cujo celular é o único telefone da casa. Em 2007, eram 35,2%. Em 2008, 43,9%.

"O número de celulares está crescendo porque agora a classe C e D pode ter um telefone em casa. Em vez de se comprometer a pagar uma taxa mensal na telefonia fixa, a opção mais em conta é, sem dúvida, uma linha móvel pré-paga", diz Eduardo Tude, analista de telecomunicações.

Élia complementa: "Na região Norte e Nordeste principalmente, nem sempre é fácil levar cabeamento para telefonia fixa, o que resulta em serviços caros e sem muita qualidade. O celular também acaba sendo a maneira mais fácil, barata e que funciona em todo lugar", conta a analista.

Confusão de celulares e chips

E não basta ter apenas um aparelho em casa. O uso de dois ou mais celulares já é moda entre os brasileiros. Com chips custando cerca de R$ 5 e promoções acirradas entre as operadoras, colecionar números e aparelhos é fácil.

O administrador paulista Caio Rogerio Ribeiro tem nada menos que 16 chips diferentes (14 pré-pagos e 2 pós-pago), sem contar os três celulares que carrega. "Já cheguei a gastar mais de R$ 3 mil em conta de telefone por causa da minha namorada, que mora em Belo Horizonte (MG). Agora, compro chips de operadoras que oferecem promoções para ligações de longa distância e vou trocando durante a conversa", conta Ribeiro.

Com esse esquema, o administrador gasta, em média, R$ 380 por mês. Valor bem abaixo do que costumava pagar antigamente.

Essa busca por ligações baratas reflete diretamente no número de linhas habilitadas no país. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo passaram, neste ano, a compor uma lista dos estados brasileiros que já ultrapassaram a barreira de um celular por habitante. Antes, apenas o Distrito Federal tinha o título.

De um modo geral, a teledensidade brasileira —índice internacional que mostra o número de telefones em serviço para cada grupo de 100 habitantes— é a quinta maior entre os países da América Latina, com 84,61 em 2009, atrás da Argentina (118,2), Venezuela (91,2), Chile (87,8) e Colômbia (85,7). No entanto, somos o país com maior número de celulares, com um total de 162 milhões de acessos de acordo com a Anatel.

Fonte: UOL TECNOLOGIA



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