Artigo

06/07/2015 - O Marketing e os Médicos

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Estava em Epidauro, no interior da Grécia, o teatro da cidade ficou famoso pela sua acústica excepcional, dizem que ânforas estão embaixo de cada assento da arquibancada, e por isto as vozes dos atores se ouvem tão claramente. Epidauro era um centro médico, para lá iam os doentes de toda a Grécia antiga, haver lá um teatro tão bem construído, que é usado até os dias de hoje, é uma demonstração de que a medicina não tem limites estreitos e abrange muito das atividades humanas.

E uma coisa me espanta na atividade médica no Brasil. O fato de tão poucos médicos entenderem que seus clientes demandam muito mais que boas e competentes consultas quando os procuram. Meu cardiologista me indicou que eu, que devia ir lá todos os anos na minha idade, a quatro invernos não aparecia. Estava lá, no seu computador, o atestado da minha falta de cuidado. Nem por um momento pareceu passar-lhe pela cabeça que nossa relação é bilateral. Se ele tem o controle das minhas visitas, se recebe por elas, também tem todo o interesse de me alertar quando chega o momento de um novo chek up.

Vou mais longe. O não uso do cadastro médico para melhorar o atendimento dos pacientes é uma falha profissional. Uma demonstração de incúria. De onde provem esta atitude? Provavelmente de um código de ética que parece fazer crer que toda postura pró-ativa para com os pacientes é errada. Mas o código não diz isto. Apenas veda a propaganda competitiva, e certos aspectos que em si tem sentido. Porém em momento algum diz que o médico não deve se utilizar dos meios informatizados para se organizar, e de uma atividade de telemarketing para alertar seus pacientes de seu desleixo. Ao fazer isto ele está apenas exercendo com mais eficácia a sua tarefa de fazer mais por aquele que entregou sua confiança ao seu cuidado. E convenhamos, em tempos de Internet a tarefa está muito facilitada.

Espero que meu médico seja tão organizado que me chame para me indicar um novo medicamento que surgiu para um mal que porto. Se eu morrer porque ele não me procurou creio que pecou por negligência. Que meu dentista me alerte da data certa para a revisão odontológica de meus filhos. Que me prestem mais que atendimento quando eu os procuro. Que pensem em marketing, ou seja, nas necessidades de seus clientes, excedendo suas expectativas com cuidados amorosos.

E que não se confunda esta atitude pró-cliente com mera comercialização, porque, sim, redunda em receitas muito maiores e fidelização dos clientes. Que se entenda isto corretamente como uma visão mais abrangente de sua atividade, ou acaso o teatro de Epidauro não visava o conforto e o espírito dos pacientes? Os atores na Grécia antiga chamavam-se hipócritas, daí o sentido em português, mas crer que usar o marketing médico é errado é, aí sim, hipocrisia, porque os pacientes e suas saúdes só se beneficiariam deste cuidado organizado e gentil.

Petrucio Chalegre

Data de Publicação: 06/08/2001



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