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04/10/2005 - Custos altos e prevenção

Divicom – Estado de São Paulo

A briga pelo reajuste dos planos de saúde anteriores à lei de 1998, com liminares para todos os lados, mostra que o assunto é tratado mais com emoção do que com razão. Só que este é um problema sério, que não pode ser tratado por quem não conhece os detalhes da operação, nem com demagogia social, porque na ponta estão mais de 35 milhões de brasileiros que dependem de seus planos de saúde privados para não caírem nas filas do SUS. E está também o governo, já que não teria como dar conta do recado se os planos de saúde acabassem. O quadro da saúde brasileira, em geral, não se mostra confortável e as declarações bombásticas no sentido de que o consumidor deve pagar menos do que o reajuste real de seu plano de saúde, porque tem uma liminar garantindo, deve ser visto como um tiro no próprio pé e não como uma solução inteligente. Há anos, por ser tratado como matéria eleitoral e por um bom tempo não ter tido à frente dos órgãos encarregados da regulação da atividade profissionais habituados com o assunto, cada aumento de preço desencadeia uma avalanche de situações que só complicam mais um drama que por si só é muito complicado.
A verdade é que a saúde moderna custa caro em qualquer lugar do mundo. Dando um exemplo para orgulhar os "terceiromundistas", parte importante dos prejuízos astronômicos das duas 2 maiores montadoras de veículos dos Estados Unidos é gerada pelo elevado custo dos planos de saúde de seus funcionários, em função dos acordos trabalhistas com os sindicatos. O custo médio per capita de um plano de saúde nos Estados Unidos anda na casa dos US$ 3,5 mil anuais. Os planos bancados pela indústria automobilística custam, em média, US$ 1 mil a mais que os planos comuns, e isso faz com que o custo dos seus carros tenha um sobrepreço que a concorrência não tem, o que tira parte dos atrativos para o público.

No Brasil, o custo médio anual dos planos de saúde privados está ao redor de R$ 1,2 mil. Ou seja, é menos de um terço do custo dos planos americanos, com o detalhe de que os serviços e tratamentos cobertos são semelhantes.

Isto quer dizer duas coisas: primeiro, que as operadoras nacionais são em média mais eficientes na redução e controle de custos e, segundo, que nossos prestadores de serviços são mais mal pagos que os americanos, o que justifica o descontentamento dos médicos com a remuneração que lhes é paga.

Num cenário onde os custos médico-hospitalares devem continuar aumentando, e nenhum político, neste momento, vai comprar a briga pela revisão da lei dos planos de saúde, é fácil prever que boa parte das operadoras de planos de saúde privados terá, ao longo de 2005, o mesmo desempenho medíocre que vem caracterizando parte de seus balanços nos últimos anos.

Então, urge achar medidas alternativas que possam minimizar os custos e melhorar os resultados das operadoras, principalmente as de planos individuais e familiares, sob risco destes produtos sumirem de vez do mercado. Estas medidas existem e podem ser colocadas em 2 grandes grupos. O da prevenção e o dos procedimentos alternativos.

É certo que o que torna os planos de saúde insustentáveis são os custos decorrentes das internações hospitalares. Um único dia de UTI, por mais simples que seja, significa alguns milhares de reais, para não falar em outros procedimentos de custo muito elevado. É neste contexto que a prevenção se mostra uma ferramenta importante para o controle dos custos. Prevenindo o surgimento de doenças, a percentagem de internações diminui de quantidade e de valor. Por outro lado, a adoção de técnicas de atendimento dos pacientes fora dos hospitais também reduz significativamente os custos, além de, concomitantemente, diminuir o estresse do indivíduo e, portanto, aumentar suas chances de recuperação.

Assim, é hora de todas as operadoras enveredarem por estas trilhas, porque é a única forma de se manterem saudáveis, remunerando bem seus prestadores de serviços, sem onerar mais os clientes.

Antonio Penteado Mendonça é advogado e consultor, professor do Curso de Especialização em Seguros da FIA/FEA-USP e comentarista da Rádio Eldorado. E-mail: advocacia@penteadomendonca.com.br



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