Custos
altos e prevenção
Divicom –
Estado de São Paulo
A briga pelo
reajuste dos planos de saúde anteriores à lei de 1998, com liminares para todos
os lados, mostra que o assunto é tratado mais com emoção do que com razão. Só
que este é um problema sério, que não pode ser tratado por quem não conhece os
detalhes da operação, nem com demagogia social, porque na ponta estão mais de
35 milhões de brasileiros que dependem de seus planos de saúde privados para
não caírem nas filas do SUS. E está também o governo, já que não teria como dar
conta do recado se os planos de saúde acabassem. O quadro da saúde brasileira,
em geral, não se mostra confortável e as declarações bombásticas no sentido de
que o consumidor deve pagar menos do que o reajuste real de seu plano de saúde,
porque tem uma liminar garantindo, deve ser visto como um tiro no próprio pé e
não como uma solução inteligente. Há anos, por ser tratado como matéria
eleitoral e por um bom tempo não ter tido à frente dos órgãos encarregados da
regulação da atividade profissionais habituados com o assunto, cada aumento de
preço desencadeia uma avalanche de situações que só complicam mais um drama que
por si só é muito complicado.
A verdade é que a saúde moderna custa caro em qualquer lugar do mundo. Dando um
exemplo para orgulhar os "terceiromundistas", parte importante dos
prejuízos astronômicos das duas 2 maiores montadoras de veículos dos Estados
Unidos é gerada pelo elevado custo dos planos de saúde de seus funcionários, em
função dos acordos trabalhistas com os sindicatos. O custo médio per capita de
um plano de saúde nos Estados Unidos anda na casa dos US$ 3,5 mil anuais. Os
planos bancados pela indústria automobilística custam, em média, US$ 1 mil a
mais que os planos comuns, e isso faz com que o custo dos seus carros tenha um
sobrepreço que a concorrência não tem, o que tira parte dos atrativos para o
público.
No Brasil, o
custo médio anual dos planos de saúde privados está ao redor de R$ 1,2 mil. Ou
seja, é menos de um terço do custo dos planos americanos, com o detalhe de que
os serviços e tratamentos cobertos são semelhantes.
Isto quer
dizer duas coisas: primeiro, que as operadoras nacionais são em média mais
eficientes na redução e controle de custos e, segundo, que nossos prestadores
de serviços são mais mal pagos que os americanos, o que justifica o
descontentamento dos médicos com a remuneração que lhes é paga.
Num cenário
onde os custos médico-hospitalares devem continuar aumentando, e nenhum
político, neste momento, vai comprar a briga pela revisão da lei dos planos de
saúde, é fácil prever que boa parte das operadoras de planos de saúde privados
terá, ao longo de 2005, o mesmo desempenho medíocre que vem caracterizando
parte de seus balanços nos últimos anos.
Então, urge
achar medidas alternativas que possam minimizar os custos e melhorar os
resultados das operadoras, principalmente as de planos individuais e
familiares, sob risco destes produtos sumirem de vez do mercado. Estas medidas
existem e podem ser colocadas em 2 grandes grupos. O da prevenção e o dos procedimentos
alternativos.
É certo que o
que torna os planos de saúde insustentáveis são os custos decorrentes das
internações hospitalares. Um único dia de UTI, por mais simples que seja,
significa alguns milhares de reais, para não falar em outros procedimentos de
custo muito elevado. É neste contexto que a prevenção se mostra uma ferramenta
importante para o controle dos custos. Prevenindo o surgimento de doenças, a
percentagem de internações diminui de quantidade e de valor. Por outro lado, a
adoção de técnicas de atendimento dos pacientes fora dos hospitais também reduz
significativamente os custos, além de, concomitantemente, diminuir o estresse
do indivíduo e, portanto, aumentar suas chances de recuperação.
Assim, é hora
de todas as operadoras enveredarem por estas trilhas, porque é a única forma de
se manterem saudáveis, remunerando bem seus prestadores de serviços, sem onerar
mais os clientes.
Antonio
Penteado Mendonça é advogado e consultor, professor do Curso de Especialização
em Seguros da FIA/FEA-USP e comentarista da Rádio Eldorado. E-mail:
advocacia@penteadomendonca.com.br